O contexto da assistência ambulatorial para a dependência de cocaína: relato de experiencia

Jéssica Adrielle Teixeira Santos, Maycon Rogério Seleghim, Sanda Cristina Pillon

Resumo


Trata-se de um relato de experiência do cotidiano assistencial de indivíduos em tratamento ambulatorial para a dependência de cocaína. O estudo emergiu da necessidade de qualificar as complexidades inerentes ao citado, como contexto abordado previamente em outro estudo. Os dados foram obtidos por meio da observação participante na unidade pelo período de um ano. A amostra acessada foi de 160 indivíduos, criteriosamente selecionados pelo estudo prévio. Os resultados foram apresentados em blocos temáticos de acordo com as percepções aprendidas. Verificou-se na fala dos indivíduos, que a necessidade do resgate do papel social e familiar está fortemente vinculada à busca e manutenção do tratamento. Em relação ao modelo ambulatorial de tratamento, verificaram-se percepções contraditórias - aqueles que manifestaram avaliações negativas, demostraram descrédito em relação às intervenções psicossociais, já entre aqueles que elogiaram esse nível de cuidado, valorizaram a proximidade com a família e a comunidade como um fator benéfico. Esse relato da realidade assistencial pontuou fragilidade e potencialidade que podem ser exploradas para a melhoria da assistência a essa clientela.


Palavras-chave


Cocaína Crack; Transtornos Relacionados ao Uso de Substâncias; Centros de Tratamento de Abuso de Substâncias; Saúde Pública

Texto completo:

XML

Referências


Nutt DJ et al. Development of a rational scale to assess the harm of drugs of potentialmisuse. Lancet 2007; 369; 1047–53.

Kiluk BD, Babuscio TA, Nich C, Carroll KM. Smokers versus snorters: Do treatmentoutcomes diZer according to route of cocaine administration? Exp Clin Psychopharmacol2013; 21(6):490–498.

Jora NP. Consumo de cocaína, crack e múltiplas drogas: interfaces com a qualidade devida de usuários [tese de doutorado]. Ribeirão Preto: Escola de Enfermagem de RibeirãoPreto; 2014.

Narvaez JCM et al. Quality of life, social functioning, family structure, and treatmenthistory associated with crack cocaine use in youth from the general population. Rev.Bras. Psiquiatr. 2015;37(3): 211-218.

Roy E. et al. Examining the link between cocaine binging and individual, social andbehavioral factors among street-based cocaine users. Addictive Behaviors 2017; 68:66–72.

Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e OutrasDrogas. Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas – UNIAD. II Levantamento Nacional do uso de Álcool e Drogas LENAD, 2017.

Ribeiro M, Laranjeira R. O tratamento do usuário de crack. Porto Alegre: Artmed; 2012.

Gootenberg P. Cocaine: global histories. Routledge: Oxton 1999:12.

Bucher R. Drogas e drogadição no Brasil. Porto Alegre: Artes Médicas; 1992:323.

Santos JAT, Oliveira MLF. Políticas públicas sobre álcool e outras drogas: breve resgatehistórico. Saúde & Transformação Social 2013;4(1):82-89.

Sau. & Transf. Soc., ISSN 2178-7085, Florianópolis, v.7, n.3, p.001-010, 2017.

Santos, Pillon11. Kessler, F.; Pechansky, F. Uma visão psiquiátrica sobre o fenômeno do crack naatualidade. Rev Psiquiatr Rio Gd Sul 2008;30(2):96-98.

Peixoto et al. Impacto do perfil clínico e sociodemográfico na adesão ao tratamento depacientes de um Centro de Atenção Psicossocial a Usuários de Álcool e Drogas(CAPSad). J Bras Psiquiatr 2010;59(4):317-321.

Queiroz et al. Observação Participante na Pesquisa Qualitativa: Conceitos e Aplicaçõesna Área da Saúder Enferm UERJ 2007;15(2):276-83.

Brasil. Ministério da Saúde. A política do Ministério da Saúde para atenção integral aos usuários de álcool e outras drogas. Brasília: CN-DST/AIDS, 2004.

Campbell J, GabriellI W, Laster LJ et al. Eficácia do tratamento intensivo em ambulatório do abuso de substâncias. J Addictiv Dis 1998;2(2):43-54.

Rangé B. Psicoterapias cognitivo-comportamentais – um diálogo com a psiquiatria. PortoAlegre: Artes Médicas, 2001.

Horta, R. L. et al. Perfil dos usuários de crack que buscam atendimento em Centros de Atenção Psicossocial. Cad. Saúde Pública, v. 27, n. 11, 2011.

Santos Cruz M. et al. Key drug use, health and socio-economic characteristics of youngcrack users in two Brazilian cities. Int J Drug Policy, v. 24, n. 5, p. 432-8, 2013.

Botti NCL, Machado JSA, Tameirão FV. Perfil sociodemográfico e padrão do uso de crack entre usuários em tratamento no Centro de Atenção Psicossocial. Estud Pesqui Psicol 2014;14(1):290-303.

Gallassi AD et al. Characteristics of clients using a community-based drug treatmentservice ('CAPS-AD') in Brazil: An exploratory study. International Journal of Drug Policy 2016;31:99-10.

Furegato ARF. Núcleo de Estudos e Pesquisa das Relações Interpessoais em Enfermagem – NUPRI. In: Agnaldo Garcia (org.). Relacionamento interpessoal - estudos brasileiros. Vitória: UFES, 2006. 136 p.

Vaughn MG et al. Is Crack Cocaine Use Associated with Greater Violence than Powdered Cocaine Use? Results from a National Sample. The American Journal of Drug and Alcohol Abuse 2010:36:181–186.

Cruz M et al. Comparing key characteristics of young adult crack users in and out-of-treatment in Rio de Janeiro, Brazil. Substance Abuse Treatment, Prevention, and Policy2014;10(9).

Palamar JJ, Davies S, Ompad DC. Powder cocaine and crack use in the United States: Anexamination of risk for arrest and socioeconomic disparities in use. Drug and AlcoholDependence 2015;1(49):108–116.

Morales-Manrique CC et al. Quality of Life, Needs, and Interest Among Cocaine Users:Diferences by Cocaine Use Intensity and Lifetime Severity of Addiction to Cocaine. Substance Use & Misuse 2011;46:390–397.

Moura HF et al. Crack/cocaine users show more family problems than other substanceusers. Clinics 2014;69(7): 497–499.

Seleghim MR et al. Vínculo familiar de usuários de crack atendidos em uma unidade de emergência psiquiátrica. Revista Latino-americana de Enfermagem 2011;19(5) 2011.

Seleghim, 2015

Noto AR, Nappo SA, Galduróz JCF et al. IV levantamento sobre uso de drogas entrecrianças e adolescentes em situação de rua de seis capitais brasileiras: 1997. São Paulo:CEBRID/UNIFESP; 1998.

Barry AE et al. Prioritizing Alcohol Prevention: Establishing Alcohol as the Gateway Drugand Linking Age of First Drink With Illicit Drug Use. Journal of School Health 2015;86(1).

Silva CC et al. Iniciação e consumo de substâncias psicoativas entre adolescentes e adultos jovens de Centro de Atenção Psicossocial Antidrogas/CAPS-AD. Ciência & Saúde Coletiva 2014;19(3):737-745.

Rodrigues DRSR, Conceicao MIG, Iunes ALS. Representações Sociais do Crack na Mídia. Psic.: Teor. e Pesq. 2015;31(1):115-123.

Oliveira LG, Nappo SA. Crack na cidade de São Paulo: acessibilidade, estratégias de mercado e formas de uso. Rev Psiq Clín. 2008;35(6):212-8.

Domingos, J. B. C. Fatores associados ao uso de cocaína e/ou crack em clientes de umCAPSad. 167f. [Tese de doutorado]. Escola de enfermagem de Ribeirão Preto,Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.

Fischer B et al. Efectiveness of secondary prevention and treatment interventions forcrack-cocaine abuse: A comprehensive narrative overview of English-language studies. Int J Drug Policy 2015;26(4):352-63.




Saúde & Transformação Social/Health & Social Change, ISSN 2178-7085, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.