O Corpo Cego: o verbo e a intensificação da deficiência

Eduardo de Paula Azzini, Ana Carolina Capellini Rigoni

Resumo


O objetivo deste trabalho é refletir sobre o papel da linguagem na educação corporal da pessoa cega, em particular. A partir de discussões em aulas de doutorado sobre como o verbo, a palavra falada pode influenciar e determinar o comportamento humano, as relações entre as pessoas e as diferentes formas de “ver” e estar no mundo, nos perguntamos como uma pessoa com deficiência visual se relaciona com os indivíduos a sua volta? Como vivenciam as práticas corporais? E como utilizam seu tempo disponível? Foi utilizada revisão de literatura e o tratamento dos textos encontrados de acordo com Severino (2002) através de leitura textual temática e interpretativa para criarmos uma abordagem mais adequada ao texto. Propomos uma aproximação teórica dos estudos de Jacques Gleyse (2006) em seu artigo “A carne e o verbo”, com a prática e vivência de atividades dirigidas a cegos de uma ONG da cidade de Piracicaba/SP. Como resultado, encontramos diferenças entre os corpos ditos “normais" e os que possuem alguma deficiência justamente pelo uso do verbo como condicionante das relações humanas, tanto no sentido de liberdade quanto nas privações sociais. A linguagem produzida acarreta diferenças significativas de convivência, comportamento, modo de viver e experimentar o mundo, tanto das pessoas com deficiência quanto daquelas que não possuem tal característica. Assim, esse exercício de reflexão sobre como a palavra, o verbo atua na carne, no corpo, pode nos levar a uma melhor maneira de incluir, estar e nos relacionar com a pessoa cega.


Palavras-chave


Pesquisa Social; Antropologia

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Saúde & Transformação Social/Health & Social Change, ISSN 2178-7085, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.