Mais Médicos na Grande Florianópolis: uma política de enfrentamento às iniquidades sociais em saúde

Rita de Cássia Gabrielli Souza Lima

Resumo


Neste artigo, explora-se as razões que levaram municípios da Macrorregião de Saúde Grande Florianópolis a aderir ao Programa Mais Médicos, bem como o sentido que este Programa expressou na realidade da atenção básica regional e eventuais repercussões e efeitos. Estudo qualitativo, exploratório-descritivo realizado, em 2016, com secretários municipais de saúde, por meio da técnica grupo focal. A análise dos dados revelou que a adesão ao Programa mostrou-se vinculada a vantagens econômicas e alta rotatividade de médicos, e que o Mais Médicos correspondeu a um movimento de “deslitoralização” da formação médica e da garantia de atenção médica na atenção básica. Gestores manifestaram a necessidade de presença mais ativa do executivo estadual e supervisores na engrenagem da gestão. Como efeitos do Programa, destacaram-se: o benefício concedido por município que aderiu a municípios vizinhos que não aderiram; e uma melhor organização dos serviços de saúde, gerada pela economia no custeio de médicos, o que possibilitou maiores investimentos em atenção secundária. Concluiu-se que o Mais Médicos representou para a Grande Florianópolis um movimento de enfrentamento às iniquidades, historicamente postas pela supremacia de médicos litorâneos sobre médicos em marcha. O artigo apresenta, ainda, algumas reflexões de ordem macro, no sentido de deixá-las em aberto para novas pesquisas, no contexto desta Macrorregião. 

 


Palavras-chave


Sistema Único de Saúde; Atenção Básica; Atenção Médica; Iniquidades em Saúde.

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Saúde & Transformação Social/Health & Social Change, ISSN 2178-7085, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.