O vídeo na clínica: um novo olhar ressignificando a vida

Sandra Autuori

Resumo


Apresentamos nesse artigo a intervenção clínica em uma paciente em que utilizamos o recurso da realização de um vídeo clipe. Temos como hipótese diagnóstica que esta paciente apresentava uma “neurose narcísica”, mais especificamente, melancolia. Problematizamos o diagnóstico de “depressão” tão utilizado na contemporaneidade e traçamos princípios éticos-clínicos para uma melhor conceituação. O vídeo clipe foi idealizado pela própria paciente. Analisamos os efeitos no sujeito melancólico no que diz respeito a sua constituição e na relação com o ideal do eu, quando em sua passagem pelo estádio do espelho, como também suas relações objetais. Temos como hipótese que a criação de um vídeo clipe neste caso, em que a construção imaginária, em sua função de dar um contorno ao Real se fixou em algo tão mortífero quanto o ‘eu sou nada’, foi capaz de fazer vacilar a consistência adoecedora. Propomos essa experiência como a reencenação do estádio do espelho, onde a câmera realiza a função do olhar do Outro reconhecendo a imagem do sujeito e, depois, com a projeção do vídeo, devolve a imagem, dando-lhe contorno e conteúdo. Também propomos que o olhar que opera o objeto câmera subjetiviza a imagem. A auto imagem foi reconstruída sustentada pela transferência estabelecida com a pessoa que estava por traz da câmera, a quem foi conferida a potencialidade de confirmar sua existência. O relato desta experiência visa afirmar outros tipos de tratamento que não só o medicamentoso ou psicologisante e, mais especificamente, pensa a especificidade do vídeo como sendo um instrumento potente nesta direção.

Palavras-chave


Saúde Mental; Atenção Psicossocial; Vídeo.

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Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 2595-2420, Florianópolis - Santa Catarina, Brasil. Todos os direitos reservados, 2018.