O PET-saúde como instrumento para a articulação da saúde mental e coletiva: narrativas da formação e do trabalho em saúde/ PET-Saúde as a tool for interaction of mental and collective health: narratives of training and working in health

Rosana Onocko Campos, Thiago Lavras Trapé, Kamila Oliveira Belo, Ricardo Calil Kores, Alcir Escocia Dorigatti

Resumo


Este artigo procura discutir o impacto do PET-Saúde na formação de alunos de graduação em Medicina e Enfermagem, analisando sua adequação às necessidades em saúde mental na atenção primária. Para tanto, analisamos o projeto que articula serviçoescola (PET-Saúde) e as práticas em saúde mental realizadas pelos profissionais na atenção primária em saúde, nas unidades básicas de saúde do Município de Campinas (SP). Explicita-se a importância da análise dos equipamentos de atenção primária, sobretudo na articulação destes com a saúde mental e com as instituições formadoras de recursos humanos. Verifica-se que a Reforma Psiquiátrica incidiu sobre a prática da atenção primária sem a participação popular nas decisões, que muitas vezes não enfatizam os aspectos sociais (bastante determinantes para os sofrimentos mentais). A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a porta de entrada para queixas e sofrimentos que não mereceriam atenção clínica e sim um apoio de equipamentos sociais e psicoterápicos. Por deficiência no manejo, aqueles acabam sendo alvo de medicalização excessiva. Desse modo, os entrevistados compreendem que o atendimento em saúde mental constitui um pilar do seu tratamento, porém, os dispositivos substitutivos funcionam ora em uma lógica inversa da lógica manicomial, ora repetindo o discurso excludente que a Reforma Psiquiátrica visou desmontar.

ABSTRACT This article discusses the impact of PET-SAÚDE during undergraduate medical and nursing training, analyzing its suitability to the needs of mental health in primary care. For this purpose we analyze the project that articulates school-service (PET-SAÚDE) and the practices carried out by mental health professionals in primary health care in the Basic Health Units of Campinas-SP. We highlighted the importance of examining the articulation between primary care and Mental Health and training institutions of human resources. It appears that the Psychiatric Reform focused on the practice in Primary Care without popular participation in decisions that often do not .emphasize enough the social aspects (quite crucial for the mental suffering). The Basic Health Unit (UBS) is the gateway to complaints and sufferings that do not deserve clinical attention but social support and psychotherapy, and this deficient management ends up being the target of excessive medicalization. Thus, respondents understand that mental health care is a cornerstone of their treatment, but the substitute devices work now or in a reverse logic of asylums or sometimes repeating the discourse that aimed to dismantle the Psychiatric Reform.

KEYWORDS: Psychosocial; Psychiatric Reform; Mental Health; Public Health.


Palavras-chave


Atenção Psicossocial; Reforma Psiquiátrica; Saúde Mental; Saúde Coletiva.

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Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 2595-2420, Florianópolis - Santa Catarina, Brasil. Todos os direitos reservados, 2018.