O Alienista na Luta Antimanicomial

Marília Novais da Mata Machado, Izabel Christina Friche Passos, Marcos Vieira Silva

Resumo


O conto O alienista, de Machado de Assis, escrito em 1882, suscita ainda sérias controvérsias no meio psiquiátrico. Este trabalho traz os resultados de uma análise do discurso de dois corpora: (1) o conto e (2) os artigos de Piccinini (escritos em 2000 e em 2006) e de Amarante (de 2006) que citam O alienista e o colocam como pivô de disputas hodiernas. Analisando o contexto dos discursos investigados, busca-se apreender e explicitar as diferentes teorias e concepções relativas à saúde e à doença mental que os atravessam. O primeiro discurso foi produzido no final do séc. XIX e os outros na primeira década do séc. XXI. Na análise dos textos, é dada atenção especial à figura de Simão Bacamarte, o alienista, presente nos dois corpora e atuando como um verdadeiro analisador do campo de saber psiquiátrico. A articulação de texto e contexto permite responder à questão que aparentemente é o pivô da disputa – quem foi o modelo usado por Machado de Assis para criar o personagem Simão Bacamarte? – e demonstra como a redução da disputa a essa questão camufla tensões,oposições, polarizações e antagonismos muito mais importantes, relativos à definição e redefinição da loucura e da saúde mental.

Palavras-chave


O alienista; Machado de Assis; Análise do discurso; Movimento de luta antimanicomial; O alienista;

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 2595-2420, Florianópolis - Santa Catarina, Brasil. Todos os direitos reservados, 2018.