A gestão de design em Arranjos Produtivos Locais (APL): o APL de móveis do planalto norte de Santa Catarina

Mayara Atherino Macedo, Eugenio Andres Diaz Merino, Maiara Gizelli Dallazen Camillo

Resumo


O arranjo produtivo do Alto Vale do Rio Negro representa 23% do total das exportações brasileiras e 74% das exportações de móveis de Santa Catarina. A indústria moveleira do planalto norte catarinense, durante muito tempo, exportou seus produtos. Os projetos vinham dos importadores estrangeiros, sendo assim, a fabricação sempre foi o foco das empresas do APL, em detrimento do desenvolvimento de design próprio e estratégias de marketing. A queda das exportações, devido a crise dos países da zona do Euro, obrigou o APL a se voltar para o mercado interno. Assim, para as empresas moveleiras alcançarem a competitividade no mercado nacional, faz-se necessário o desenvolvimento de estratégias de design. O objetivo deste trabalho é propor ações de design que possam contribuir para o incremento da competitividade do APL de Móveis do Planalto Norte Catarinense. Para alcançar o escopo do artigo, este se desenvolveu como uma pesquisa teórico-conceitual, com levantamento bibliográfico descritivo para mapeamento da literatura, e exploratório para, a partir de dados empíricos, identificar pontos relevantes e lacunas para sugerir ações. O presente artigo descreveu os conceitos de gestão de design para melhor entendimento sobre como o design contribui para desenvolvimento de vantagens competitivas de aglomerações empresariais. Através da análise da competitividade proposta por Fuini (2006) e o modelo de gestão de design de Martins e Merino (2011), foi possível relacionar vantagens do design para nove, das dez variáveis da competitividade de Fuini (2006). Assim, pôde-se concluir que as propostas de ações  proporcionariam melhoria no desempenho e diferenciação competitiva.

Palavras-chave


Arranjo produtivo local; APL; Gestão de design; Competitividade; Indústria moveleira

Texto completo:

PDF/A

Referências


ACKLIN, C. Design Driven Innovation Process Model. Design Management Journal, v. 5, n. 1, p. 50-60, 2010.

ALBAGLI, S.; BRITO, J. Arranjos produtivos locais: uma nova estratégia de ação para o SEBRAE - Glossário de Arranjos e Sistemas Produtivos e Inovativos Locais. [S.l.], Rede de Pesquisas em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais (REDESIST), 2003.

ALTENBURG, T.; HILLEBRAND, W.; MEYER-STAMER, J. Building systemic competitiveness: concept and case studies from Mexico, Brazil, Paraguay, Korea and Thailand. GDI, 1998.

AMATO NETO, J. et al. Competitividade e cooperação em aglomerados, redes e sistemas de produção e inovação no brasil. In: (Ed.). Tópicos Emergentes e Desafios Metodológicos em Engenharia de Produção: Casos, Experiências e Proposições. Rio de Janeiro: ABEPRO, v.V, 2012. cap. 4, p.258.

AMBROSINI, Alexandre de Oliveira. Abordagens ambientais voluntárias: uma análise sob a ótica de arranjos produtivos locais. 137 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Gestão em Economia do Meio Ambiente, Departamento de Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2009.

BEST, K. Fundamentos de Gestão de design. Porto Alegre: Bookman, 2012.

BETTIOL, M.; MICELLI, S. The strategic role of design for the competitiveness of the Italian industrial system. Retrieved May, v. 11, p. 2008, 2006.

BRUCE, M.; COOPER, R.; VAZQUEZ, D. Effective design management for small businesses. Design Studies, v. 20, n. 3, p. 297-315, 1999.

CAMPOS, R. R. Os arranjos produtivos locais no Estado de Santa Catarina: Mapeamento, metodologia de identificação e critérios de seleção para políticas de apoio. In. Primeiro Relatório da Pesquisa “Análise do Mapeamento e das Políticas Para Arranjos Produtivos Locais no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil”. Florianópolis: Ufsc, 2009.

CAPORALI, R.; VOLKER, P. Metodologia de Desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais: projeto PROMOS–SEBRAE–BID versão 2.0. Brasília, Sebrae, 2004.

CASAROTTO FILHO, N.; PIRES, L. MÓVEIS. Redes de Pequenas e Médias empresas e desenvolvimento local: estratégias para a competitividade global com base na experiência italiana. São Paulo: Atlas, 2001.

CASSIOLATO, J. E.; LASTRES, H. M. O foco em arranjos produtivos e inovativos locais de micro e pequenas empresas. Pequena empresa: cooperação e desenvolvimento local. Rio de Janeiro: Relume Dumará, p. 21-34, 2003.

CHIVA, R.; ALEGRE, J. Investment in design and firm performance: The mediating role of design management. Journal of Product Innovation Management, v. 26, n. 4, p. 424-440, 2009.

COELHO, M. MÓVEIS. e EMERENCIANO, D.B. Estratégias empresariais da indústria moveleira do polo moveleiro de São Bento Do Sul/SC: um estudo de caso. Revista Paranaense de Desenvolvimento, Curitiba, n.116, p.169-193, jan./jul. 2009.

COUTINHO, L.; FERRAZ, J. C. Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira. UCAMP, Universidade Estadual de Campinas. Campinas: Papirus. 1994.

CUNHA, Idaulo J. Análise das formas e dos mecanismos de governança e dos tipos de confiança em aglomerados produtivos de móveis no Sul do Brasil, Portugal e Espanha e associação com competitividade e internacionalização. Tese de doutorado, PPGEP, UFSC, Florianópolis, 2006.

CUNHA, Sieglinde Kindl; CUNHA, João Carlos. Clusters de turismo: abordagem teórica e avaliação. RDE-Revista de Desenvolvimento Econômico, v. 8, n. 13, 2007.

DENK, A. (Santa Catarina). SINDUSMOBIL - Sindicato da Indústria da Construção e Mobiliário de São Bento do Sul; SINDICOM - Sindicato da Indústria da Construção e Mobiliário de Rio Negrinho; ARPEM - Associação Regional das Pequenas e Médias Empresas Moveleiras. Estudo setorial do APL (arranjo produtivo local) moveleiro da região do Alto Vale do Rio Negro. São Bento do Sul, 2012. 39 p.

DICKSON, P. et al. Managing Design in Small High‐Growth Companies. Journal of Product Innovation Management, v. 12, n. 5, p. 406-414, 1995.

FAJNZYLBER, F. Industrialización e internacionalización en la América Latina. 2012.

FARINA, E. Competitividade e coordenação de sistemas agroindustriais: um ensaio conceitual. Revista Gestão & Produção, v. 6, n. 3, p. 147-161, 1999.

FEGHALI, Marta Kasznar. As engrenagens da moda. Rio de Janeiro: Ed. Senac, 2001.

FERRAZ, J. C.; KUPFER, D.; HAGUENAUER, L. Made in Brazil. Rio de Janeiro: Campus, p. 3, 1995.

FERREIRA, Marcos José Barbieri; GORAYEB, Daniela Salomão. Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI. Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp. Relatório de Acompanhamento Setorial Indústria Moveleira. Campinas, 2008. 29 p.

FIESC - Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. INDÚSTRIA DE MÓVEIS DE SC. 2014. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2014.

FLEURY, A. C.; FLEURY, M. T. L. Estratégias competitivas e competências essenciais: perspectivas para a internacionalização da indústria no Brasil. Gestão & Produção, v. 10, n. 2, p. 129-144, 2003.

FUINI, L. L. A nova dimensão dos territórios: competitividade e arranjos produtivos locais (APL). Estudos Geográficos, v. 4, n. 1, p. 53-66, 2006.

GANN, D.; SALTER, A.; WHYTE, J. Design quality indicator as a tool for thinking. Building Research & Information, v. 31, n. 5, p. 318-333, 2003.

GARBE, Ernesto Augusto. Fatores que afetam a competitividade da indústria de móveis brasileira no comércio internacional e propostas para melhorias. 2012.

GORB, P.; DUMAS, A. Silent design. Design Studies, v. 8, n. 3, p. 150-156, 1987.

HAYES, R. H.; UPTON, D. M. Operations-based strategy. California Management Review, n. 4, p. 8-25, 1998.

HELFAT, C. E. et al. Dynamic capabilities: Understanding strategic change in organizations. Wiley. com, 2009.

LASTRES, H. M. M. et al. “Globalização e inovação localizada”. In: CASSIOLATO, J.E. e LASTRES, H. M. M Globalização e Inovação Localizada - Experiências de Sistemas Locais no Mercosul. Brasília: IEL/IBICT, 1999.

MARTINS, R.; MERINO, E. A Gestão de design como Estratégia Organizacional. Londrina: EDUEL, 2008.

MIGUEL, P. A. C. Estudo de caso na engenharia de produção: estruturação e recomendações para sua condução. Revista Produção, v. 17, n. 1, p. 216-229, 2007.

_______________. Metodologia de pesquisa em engenharia de produção e gestão de operações. Elsevier, 2012.

MOTTA, Flavia; GARCIA, Renato. Sistemas locais de produção e cadeias produtivas globais -: as diversas formas de inserção da indústria de móveis nos mercados e os impactos nas estruturas produtivas locais. In: Encontro Nacional de Engenharia de Produção - ENEGEP, 27º, 2007, Foz de Iguaçu, PR, 2007.

Móvel Brasil: Feira de Móveis e Decorações 2013. Disponível em: . Acesso em: 12 maio 2013.

MOZOTA, B. B. D.; KLÖPSCH, C.; COSTA, F. C. X. D. Gestão de design: usando o design para construir valor de marca e inovação corporativa. Bookman, 2011.

OCDE. Manual de Oslo: Proposta de diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação tecnológica. Departamento Estatístico da Comunidade Européia, 2004.

PEIEX UNIVILLE. Relatório Final Projeto Extensão Industrial Exportadora 2011. Detalhes do Projeto Executivo, Estatísticas das Empresas Atendidas, Avaliação do Desempenho, Capacitações Realizadas e Resultados Obtidos. São Bento do Sul, 2011.

PEREIRA, Edmilson Sabadini. MDIC - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior/ SOCIESC - Sociedade Educacional de Santa Catarina. Pesquisa de mercado interno para o APL madeira e móveis do Alto Vale do Rio Negro. Florianópolis, 2007.

PERKS, H.; COOPER, R.; JONES, C. Characterizing the Role of Design in New Product Development: An Empirically Derived Taxonomy. Journal of Product Innovation Management, v. 22, n. 2, p. 111-127, 2005.

PORTER, M. E. Clusters and the new economics of competition. Harvard Business Review Watertown, 1998.

____________. From competitive advantage to corporate strategy. Managing the multibusiness company: Strategic issues for diversified groups, New York, p. 285-314, 1996.

____________. The competitive advantage of nations. Harvard Business School Management Programs, 1993.

___________. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Campus, 1992.

PROENÇA, A. Dinâmica estratégica sob uma perspectiva analítica: refinando o entendimento gerencial. Rio de Janeiro: Universidade Cândido Mendes, ARCHÉ, 1999.

RODRIGUES, Ralph Santiago Leal de Camargo. Aglomerações de empresas e cadeias produtivas globais: um estudo em arranjos produtivos locais selecionados em santa Catarina. 2007. 222 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Economia, Programa de Pós-graduação em Economia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2007.

ROSA, S. E. S. D. et al. O setor de móveis na atualidade: uma análise preliminar. BNDES, Rio de Janeiro, 2007.

SEBRAE/SC. Santa Catarina em Números: madeira e moveleiro / Sebrae/SC. Florianópolis: Sebrae/SC, 2010. 69 p.

SILVA, L. C. DA. SEBRAE/SC. Arranjo produtivo local madeira móveis do alto vale do rio negro – APL AVRN: Projeto do Arranjo Produtivo Local Madeira Móveis: Plano Plurianual 2007 a 2011. São Bento do Sul/SC, 2008. 150 p. 2008.

SIM - SINDICATO DA INDÚSTRIA DO MOBILIÁRIO DA GRANDE FLORIANÓPOLIS. Indústria do Mobiliario de SC. 2012. Disponível em: . Acesso em: 01 out. 2014.

STAROSTKA, J. Different Approaches to Design Management. Swedish Design Research Journal, v. 2, p. 46, 2012.

SUN, Q.; WILLIAMS, A.; EVANS, M. A theoretical design management framework. Design Journal, v. 14, n. 1, p. 112-132, 2011.

TEECE, D. J.; PISANO, G.; SHUEN, A. Dynamic capabilities and strategic management. Strategic Management Journal, v. 18, n. 7, p. 509-533, 1997.

TOPALIAN, A. Best practice benchmarking of design management practices and performance. The Alto Design Management Workbook, Alto, 1994.

TREACY, M.; WIERSEMA, F. The Discipline of Market Leaders, 1995.




e-ISSN 2175-8018


Creative Commons License
IJIE - Iberoamerican Journal of Industrial Engineering foi licenciada sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.


Iberoamerican Journal of Industrial Engineering. Universidade Federal de Santa Catarina. Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas. Florianópolis, SC, Brasil.

Para entrar em contato com a equipe editorial do IJIE, encaminhe um e-mail para periodico.ijie@gmail.com ou ijie@contato.ufsc.br