Letramento em um contexto multilíngue no Brasil: a articulação da escrita em português com as identidades de gênero social e etnicidade

Neiva Jung

Resumo


Precisamos de políticas linguísticas brasileiras, mais especificamente políticas de letramento, de base antropológica, para refletir e subsidiar a educação brasileira. Pesquisas sobre letramento escolar no Brasil mostram que o modelo de letramento ainda muito presente na educação brasileira é o autônomo, concebendo a língua escrita como única, superior, neutra, e que pouco se refletiu sobre as ideologias e os resultados dessa adoção para os indivíduos, as comunidades e inclusive para os índices oficiais das escolas e dos alunos em exames nacionais. Neste artigo, não temos como objetivo dar conta de uma questão tão ampla e complexa, mas, a partir de dados de eventos de letramento de uma comunidade multilíngue, analisados a partir da perspectiva dos Novos Estudos sobre Letramento, evidenciar como esse grupo social se orienta para o letramento em português. Os dados mostram que o letramento em português tem valores simbólicos diferentes para homens e mulheres da comunidade. Essa orientação, coconstruída por meio de um modelo de letramento feminino pela escola, precisaria subsidiar uma política linguística local de legitimação das línguas e de seus falantes, contribuindo para a manutenção da superdiversidade.

Palavras-chave


Letramento; Política linguística; Escola.

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EntreVer, ISSN 2237-6674, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.